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Abstract
O presente estudo é o resultado de um projecto em Didáctica de Línguas, cujo objectivo é a descrição das imagens das línguas estrangeiras em estudo dos alunos da turma do 3º ano do curso de Línguas e Relações Empresariais da Universidade de Aveiro, no ano lectivo de 2003/2004.
O conceito de imagem é constituído na intersecção de quadros teóricos que mobilizam a Psicologia Social, as Ciências da Linguagem e a Didáctica de Línguas, sendo entendido neste estudo como um objecto de discurso, que se forma, transforma e transmite através da comunicação, criado por indivíduos e grupos e através do qual constroem conhecimento acerca da realidade, de acordo com as experiências de vida de cada um e o contexto (social, económico, político…) em que se inserem. No campo em que nos movemos, problematiza a relação entre o aluno e a língua/cultura estrangeiras e o aluno e a sua identidade.
Os dados foram recolhidos segundo diferentes métodos e instrumentos. Inicialmente foi traçada a biografia linguística dos alunos, através de um inquérito por questionário. Num segundo momento, foi concebida, com os professores das diferentes disciplinas de línguas, uma actividade didáctica desencadeadora da expressão das imagens dos alunos relativamente às línguas estrangeiras, tendo-lhes sido pedido que respondessem à seguinte questão: “Imagine que teria de descrever a língua Alemã/Chinesa/Francesa/Inglesa a alguém que nunca com ela tenha contactado. O que lhe diria e porquê?”.
Para o tratamento dos dados optámos por uma metodologia de tipo mista, simultaneamente qualitativa e quantitativa. As categorias de análise, construídas a partir do quadro teórico e do confronto com os dados recolhidos, foram as seguintes: línguas como objectos de ensino-aprendizagem, objectos afectivos, instrumentos de construção de relações interpessoais e intergrupais, objectos de poder e como instrumentos de construção e afirmação de identidades individuais e colectivas.
Os resultados mostram que os alunos estabelecem relações de diferente natureza com cada LE: o Alemão enquanto língua-objecto de apropriação formal; o Chinês enquanto língua-surpresa e da descoberta do Outro; o Francês enquanto língua que desperta afectos e o Inglês enquanto língua utilitária e transaccional. Isto evidencia que os factores (motivacionais, sociais, económicos, culturais, escolares) que estão na base da construção destas imagens são também diversos.
Como conclusão do estudo sugere-se que uma reflexão por parte dos aprendentes acerca das suas imagens das línguas estrangeiras, realizada no âmbito das aulas de línguas, pode fornecer informação importante para que professores e restantes intervenientes educativos possam encontrar métodos de trabalho, em contexto educativo, que coloquem as imagens e estereótipos em benefício de uma educação linguística que vise o desenvolvimento de comportamentos e atitudes positivas relativamente ao Outro, à sua língua e à sua cultura.





