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Abstract
Este estudo faz uma leitura da obra On the Road, de Jack Kerouac, enquanto romance que tem como tema uma viagem interior e existencial. Essa viagem inicia-se com o relato da inquietação de Sal Paradise, um artista em conflito com a sua existência e em busca do mistério que leva à criação de arte. A demanda levará o escritor ao encontro de situações limite, que o ajudarão a desdobrar-se em várias versões existenciais e a ver o mundo através de um ângulo que será o fundo da sua personalidade. Dean Moriarty é, nesse âmbito, um pólo de referência crucial, cuja presença se torna catalisadora mas também desafiante para o crescimento do narrador enquanto narrador de histórias. Será feita uma reflexão sobre o modo como o existencialismo religioso de Kierkegaard é transportado para uma estrada (meta)ficcional, que representa a viagem ao fundo da personalidade e até às margens últimas da consciência para construir a própria voz e, através dela, criar arte. O mundo que o escritor em crescimento descobre no âmbito dessa viagem é um espaço confuso, selvagem e habitado não só por musas, mas também por demónios e fantasmas.





