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Abstract
A Colina de Santana é uma das colinas mais centrais de Lisboa e está a desenvolver um processo de regeneração urbana originado, entre outros factores, pela decisão política de encerrar os hospitais existentes no centro da cidade e consequente construção de um novo hospital na zona oriental da Lisboa.
Os edifícios em questão, outrora conventos, correspondem às áreas dos hospitais de São José, Santa Marta, Santo António dos Capuchos e Dona Estefânia. A alteração funcional destes espaços disponibilizará áreas atrativas para o investimento imobiliário. O conhecimento público destes projetos e a polémica que suscitaram, a partir de 2013, levou à organização de debates sobre a necessidade de proteger o património contido nos edifícios hospitalares.
Com o presente trabalho, pretende-se identificar os atores intervenientes no processo de transformação da colina, os desafios e os objetivos estratégicos que identificam e a relação de forças que se estabelecem entre eles. Dada a complexidade da realidade em análise e da incerteza que lhe está associada, considerou-se pertinente aplicar uma metodologia prospetiva de forma a classificar e organizar as variáveis dos sistemas atual e potencial da Colina de Santana. Optou-se por duas etapas do Método dos Cenários, a Análise Estrutural e a Análise de Estratégia de Atores.
A partir da análise estrutural, é possível apurar as variáveis mais importantes do sistema, que compreendem a decisão de encerramento dos hospitais do Centro Hospitalar Lisboa Central, as medidas governamentais e municipais a implementar naquela zona após o encerramento, bem como o Programa de Ação Territorial para a Colina de Santana.
A partir da análise de estratégia de atores, identificam-se oito objetivos estratégicos, integrados em três desafios estratégicos, sendo que: Promover ações para preservação do património edificado da colina e Promover ações para preservação do património material e imaterial da colinatraduzem os objetivos com mais mobilização dos atores.
Por outro lado, a relação de forças entre atores - enquanto categoria em análise - permite reconhecer quais são os atores com mais poder de influência no processo, sendo eles a Câmara Municipal de Lisboa, a Assembleia Municipal de Lisboa, o atelier Bruno Soares e a Junta Freguesia Arroios.
Para finalizar, e por se tratar de uma metodologia prospetiva, apresentam-se três possíveis cenários e respetivas hipóteses, para reflexão: i) a manutenção / ou não do Programa Ação Territorial como programa orientador do processo de regeneração urbana; ii) a decisão de encerrar na totalidade, ou só parcialmente os hospitais da Colina de Santana e iii) a transferência de parte do edificado dos hospitais para o Ministério da Saúde ou para a Câmara Municipal.
Os resultados encontrados mostram a possibilidade de os atores trabalharem em conjunto para alcançar os objetivos identificados em comum. Assim, fica a faltar a decisão política principal para que o processo de regeneração urbana da Colina de Santana se desenvolva de uma forma abrangente e integrada.





