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Abstract
No século XXI, o abastecimento de água para consumo tornou-se escasso, e as suas fontes naturais estão a diminuir. A dessalinização da água do mar e das águas salobras pode constituir uma excelente solução para o problema. A osmose direta (OD) é um processo promissor de dessalinização, já que é bastante económico e respeita o meio ambiente. No entanto, este processo apresenta duas limitações intrínsecas: o efeito da polarização por concentração e a incrustação da membrana. As membranas com compósito de película fina (TFC – thin film composite) são amplamente utilizadas no processo de OD e são constituídas por uma camada de poliamida ativa sobre um substrato, que geralmente é uma membrana de polisulfona (PS). A modificação das membranas com base de polisulfona feita com materiais nanoestruturados tem como objetivo aumentar a sua eficiência e, assim, minimizar os efeitos negativos associados ao processo de OD.
Membranas de PS com nanotubos de carbono (CNTs), óxido de grafeno (GO) e materiais compósitos de carbono-TiO2foram preparadas pelo método da inversão de fase e estudaramse diferentes parâmetros de síntese, tais como a quantidade de material e a adição de um formador de poros (PVP – polivinilpirrolidona). De forma geral a adição de materiais nanoestruturados nas membranas de PS produz um aumento da porosidade e do ângulo de contato, em relação à membrana pura de PS. A utilização de PVP nas membranas puras de PS promove a formação de poros com maiores dimensões, enquanto que as membranas com TFC apresentam uma diminuição da porosidade e ângulo de contato em relação à membrana com suporte de PS correspondente.
Todas as membranas foram testadas em filtração, com água destilada e água salgada (C = 1000 ppm NaCl). O aumento da pressão transmembranar induz um maior fluxo de água. A membrana preparada com 0.1% de nanotubos de carbono originais (0.1MWp/PS) apresenta o fluxo de água mais elevado (18760 L h-1 m-2) com água salgada. Contudo, neste processo a rejeição de sal para as membranas de PS foi na ordem dos 8%. Por seu lado, as membranas com TFC apresentam menor fluxo de água mas a rejeição de sal é mais elevada, comparativamente com as correspondentes membranas de PS. A membrana 0.1MWf/PS (com 0.1% de nanotubos de carbono funcionalizados) é aquela que apresenta melhores fluxos de água e rejeição de sal.
No processo de OD as membranas com TFC foram testadas com água destilada e 0.6 M de NaCl como solução de alimentação e de permeado, respetivamente. Obtêm-se geralmente fluxos mais elevados quando a membrana se coloca com a camada ativa voltada para o permeado (ALDS - active layer faced draw solution). A melhor membrana com TFC testada em OD foi preparada com uma base de PS composta com 0.6% em massa do compósito de óxido de grafeno e TiO2 (0.6GOT/PS-P_TFC), para a qual se obteve um fluxo de água de 12.1 L h-1 m -2 e uma rejeição de sal de 99%. Esta membrana foi também testada com outras soluções de permeado, sendo que se obteve um aumento do fluxo de água e do fluxo inverso de soluto quando a concentração do permeado foi 1.2 M NaCl, enquanto que ao usar uma solução de 1.25 M de MgSO4no permeado se verifica uma diminuição de ambos os parâmetros.





