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Abstract
Os cientistas recorrem a diversos meios, com o objetivo de garantir os padrões mais elevados das suas investigações. Mas, na maioria das situações, fracassam no desempenho de comunicar os seus resultados. Estudos indicam um aumento exponencial do número de publicações cientificas nas últimas décadas. Vivemos numa sociedade cada vez mais dominada pela partilha nas redes sociais e pelo rápido fluxo de informação. O desafio parece ser beneficiar de tal quantidade de informação sem perder o rumo.
Os graphical abstracts resumem, numa imagem, o conteúdo de um artigo cientifico. Estes artefactos de comunicação visual devem transmitir fatos, ideias e relações, de forma mais rápida e clara, relativamente à linguagem verbal. Alguns dos principais grupos de revistas cientificas definiram as diretivas fundamentais para a execução de graphical abstracts, permitindo, ou até exigindo, que tais artefactos visuais sejam incorporados nas publicações.
Com este trabalho pretende-se conhecer o impacto de adesão dos investigadores ás recomendações supracitadas. Para tal efetuou-se uma análise quantitativa e qualitativa dos graphical abstracts presentes nas publicações do maior instituto de investigação biomédica de Portugal-13S, no periodo compreendido entre 2016 e 2018.
Foram analisados 994 artigos cientificos, tendo-se observado que 19% das publicações contém graphical abstracts enquanto que 26% negligência a sua utilização. Relativamente aos princípios de design gráfico, é frequente encontrar-se uma utilização errada da cor, bem como erros básicos a nivel da disposição no espaço dos elementos constituintes da composição gráfica. Curiosamente, observou-se que que artigos que usam graphical abstracts têm maior impacto em termos de citações e leitores mas não em termos de tweets.
Conclui-se que o uso dos graphical abstracts fica aquém do seu potencial máximo enquanto ferramenta inclusiva e eficaz de comunicação entre cientistas. Neste contexto, propõe-se aqui um modelo de normas gráficas, a aplicar aos graphical abstracts, tomando a sua construção mais eficaz, assim como a sua interpretação.





