O tempo foi amplamente investigado por Eugène Minkowski, retomando os conceitos de Henri Bergson de tempo cronológico e duração vivida. Apesar de algumas divergências, a influência bergsoniana contri-buiu para os estudos de Minkowski, que buscou alcançar as características e as alterações do tempo vivido nos pacientes. A alteração na vivência do tempo - possivelmente intensificada na pandemia de Covid-19 - está no cerne da depressão de acordo com a psicopatologia fenomenológica. Assim, o objetivo deste artigo é ampliar a compreensão sobre o tempo vivido e a depressão durante esse período, o que é relevante considerando o acometimento de mais de 300 milhões de pessoas no mundo pela depressão e o aumento em 25% na sua prevalência global após o primeiro ano de contágio do vírus. Palavras-chave: Tempo, depressão, Covid-19, psicopatologia fenomenológica
Time has been extensively investigated by Eugène Minkowski, taking up Henri Bergson's concepts of objective time and lived time. Despite some divergences, Bergsonian's influence contributed to the studies of Minkowski, who sought to reach the characteristics and alterations of lived time in patients. The alteration in the experience of time - possibly intensified during the COVID-19 pandemic - is placed at the core of depression according to phenomenological psychopathology. Thus, this study aims to expand the understanding of lived time and depression during the pandemic, which is relevant considering that more than 300 million people worldwide are affected by depression and that its global prevalence increased by 25% after the first year of the virus infection.
Keywords: Time, depression, COVID-19, phenomenological psychopathology
Le temps a fait l'objet de recherches par Eugène Minkowski, reprenant les concepts de temps chronologique et de durée vécue d'Henri Bergson. Malgré certaines divergences, l'influence bergsonienne a contribué aux études de Minkowski, qui cherchait à comprendre les caractéristiques et les changements du temps vécu chez les patients. Le changement dans l'expérience du temps - peut-être intensifié pendant la pandémie de COVID-19 - est au cœur de la dépression selon la psychopathologie phénoménologique. Cet article cherche donc à élargir la compréhension du temps vécu et de la dépression pendant cette période, ce qui est pertinent compte tenu du fait que plus de 300 millions de personnes dans le monde sont touchées par la dépression et l'augmentation de 25% de sa prévalence mondiale après la première année d'infection par le virus. Mots-clés: Temps, dépression, COVID-19, psychopathologie phénoménologique
El tiempo fue ampliamente investigado por Eugène Minkowski, retomando los conceptos de Henri Bergson de tiempo cronológico y duración vivida. A pesar de algunas divergencias, la influencia bergsoniana contribuyó a los estudios de Minkowski, que pretendía llegar a las características y cambios del tiempo vivido en los pacientes. La alteración en la vivencia del tiempo - posiblemente intensificada en la pandemia del COVID-19 - está en el centro de la depresión según la psico-patología fenomenológica. El objetivo de este artículo es ampliar la comprensión del tiempo vivido y de la depresión durante este período, lo que es relevante consi-derando que la depresión afecta a más de 300 millones de personas en el mundo y que hubo un aumento del 25% en su prevalencia global después del primer año de contagio del virus.
Palabras clave: Tiempo, depresión, COVID-19, psicopatología fenomenológica
Introdução
A palavra tempo deriva do latim tempus, proveniente do grego témno, que significa "cortar em pedaços", "dividir". Segundo o Dicionário Online de Português, tempo é a "continui-dade que corresponde à duração das coisas (presente, passado e futuro)." O tempo pode ser visto sob várias perspectivas abran-gendo a cultura popular, a poesia e diversas áreas do conhecimento científico, como a matemática, a física e a filosofia.
Na cultura popular, o tempo é conhecido como "o melhor remédio", "o senhor da razão" e sinônimo de dinheiro. Dentre os poetas que fizeram alusão ao tempo, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) expressou em versos que sua divisão em anos seria uma forma de renovação da esperança. Mário Quintana (1906-1994) versou sobre o caráter incessante do tempo, ponde-rando que apenas a saudade seria capaz de fazê-lo parar. Na filosofia antiga, as discussões de Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e Platão (428 a.C.-347 a.C.) definiram o tempo em relação ao movimento de corpos externos, particularmente em relação ao movimento dos astros. Na idade média, Santo Agostinho (354-430) propôs o tempo como inseparável da interioridade psíquica (Gagnebin, 1994), sendo originado na criação do mundo, o que não permitiria pensar a existência humana sem o tempo. Na filosofia moderna, I. Kant (1724-1804) definiu o tempo como forma pura da intuição humana e inexistente fora do homem (Carneiro, 2004). Na física clássica, com I. Newton (1643-1727), e na física moderna, com A. Einstein (1879-1955), apesar das diferentes definições e teorias, o tempo pode ser de alguma forma mensurado (Tassinari, 2006).
Na psicopatologia fenomenológica, Eugène Minkowski (1885-1972), psicopatólogo de origem russa, estudou profunda-mente o tempo em sua obra O tempo vivido (1933). Para ele, as descobertas e o progresso proporcionados pelas ciências exatas tentavam superar o tempo e o espaço, impondo uma escravidão e um ritmo de vida que pareciam violentar os seres humanos.
No prólogo dessa obra, colocou o tempo e o espaço como sendo problemas centrais da psicologia, da filosofia e da cultura da sua época e, por serem fontes de conflitos profundos da existência humana, deveriam ser examinados de forma atenciosa (Minkowski, 1933/1973).
Os pensamentos de Minkowski foram influenciados pela fenomeno-logia de Edmund Husserl (1859-1938) e pela filosofia de Henri Bergson (1859-1941). Husserl se propôs a estudar e a descrever os fenômenos que compõem a vida sem se deixar guiar ou se limitar por premissas, quaisquer que fossem sua origem ou aparente legitimidade. Por sua vez, Bergson esta-beleceu uma oposição entre intuição e inteligência, vida e morte, tempo e espaço (Minkowski, 1933/1973). De acordo com Barthélémy (1997), apesar da influência de Bergson, que acreditava que o pensamento discursivo e a linguagem seriam incapazes de restituir a fundo os "dados imediatos da cons-ciência", Minkowski considerou a linguagem um dos elementos principais da função expressiva humana e concebeu uma fenomenologia da linguagem para alcançar as alterações do tempo vivido em pacientes. Para isso, partiu do estudo das expressões metafóricas da linguagem comum e da reflexão dos discursos dos pacientes "com uma atenção particular às pequenas frases que podem evidenciar alguns disfuncionamentos" (Barthélémy, 1997, p. 100). Partindo da psicopatologia fenomenológica e seguindo esse caminho, Minkowski desenvolveu a psicopatologia fenômeno-estrutural.
A escolha de Minkowski para nortear os desenvolvimentos teóricos deste artigo se deu por ele ter estudado profundamente o tempo por uma ótica que ultrapassa sua dimensão quantitativa. Além disso, não se restringiu ao campo teórico, uniu a filosofia e a fenomenologia à psiquiatria, o que possibilita expandir seus desenvolvimentos para o âmbito clínico. A obra de Minkowski está difundida em cinco livros: A noção de perda de contato vital com a realidade e suas implicações em psicopatologia (1926); A esquizofrenia - psicopatologia dos esquizoides e esquizofrênicos (1927); O tempo vivido (1933), que orienta este estudo, Para uma cosmologia. Fragmentos filosóficos (1936); e Tratado de psicopatologia (1966), além de 252 artigos científicos publicados em periódicos europeus do século XX (Granger, 2002). Apesar da extensão da sua obra, a tradução para o português ainda é escassa, o que compromete a difusão da sua vida e do seu pensamento no Brasil, questão que esta pesquisa busca minimizar.
Segundo Minkowski (1933/1973), o tempo assimilado ao espaço, percebido no relógio e no calendário, indica a tendência de redução do tempo a um ponto fixo para exprimir em anos, meses e horas a distância que separa os eventos. Como o tempo está extremamente próximo e é parte integral dos seres humanos, mesmo os processos mais elementares do pensamento discur-sivo se mostram contrários à sua natureza, pois não é possível alcançar a distância necessária para fazer do tempo um objeto do conhecimento humano, a tentativa de conhecê-lo, analisá-lo e representá-lo é muito difícil, uma vez que ele não está diante dos olhos humanos e não pode ser visto, senão sentido e vivido.
A partir dessa problemática, Minkowski (1933/1973) propôs o afasta-mento da visão do tempo como quarta dimensão do espaço para fazer uma revisão crítica de toda a atitude humana em relação a esse fenômeno vivo e, assim, compreendê-lo em toda sua riqueza, particularidade e especificidade original. Apesar de reconhecer a dificuldade envolvida, sua proposta foi olhar "sem instrumentos" e dizer o que percebia para realizar um estudo fenomeno-lógico do tempo a partir da psicopatologia e das relações inter-humanas.
Pode-se dizer que o tempo foi amplamente investigado no decorrer da história, principalmente pela sua intrínseca relação com a existência humana, e não pode ser reduzido a uma grandeza física, pois possui uma dimensão vivida. Além de todas as formas de entender o tempo, este estudo acredita que 4 ele pode ser compreendido a partir da sua relação com a depressão e com a pandemia, da mesma forma que a depressão e a pandemia também podem ter sua compreensão ampliada a partir da relação estabelecida entre elas.
Para investigar a produção científica sobre o tema, optou-se por uma busca no banco de dados Web of Science. Sua utilização exclusiva se deu considerando o caráter qualitativo da investigação, cujo foco não foi a quan-tidade de artigos encontrados. No primeiro momento, foi feita uma tentativa de incluir o termo "tempo", mas sua abrangência direcionou a pesquisa como a seguir. A busca nos tópicos de artigos científicos utilizou as palavras-chave "depressão" e "fenomenologia" no período de 2020 a 2022, correspondente à pandemia, e encontrou 199 resultados. Desses, 62 utilizaram o termo "feno-menologia" como método ou abordagem dentro das suas diversas subdivisões. Os outros 137 utilizaram o termo na visão médica, referindo-se à apresentação de determinado transtorno. A limitação dessa busca para resumo encontrou 57 resultados e a limitação para título, dois. Apesar da busca por tópicos não ter utilizado a palavra "tempo", o termo apareceu em seis resultados, todos em alguma das perspectivas fenomenológicas. Desses, três artigos mencionaram o tempo vivido segundo Minkowski (Cavaletti & Heimann, 2020; Moskalewicz & Schwartz, 2020; Stanghellini et al., 2022). Desses, dois artigos colocaram a experiência temporal como centro dos transtornos mentais (Moskalewicz & Schwartz, 2020), dentre eles a depressão (Cavaletti & Heimann, 2020). Dos seis resultados com a palavra "tempo", dois abordaram psicopatologias e alte-rações na experiência do tempo sem estabelecer relação entre elas e citaram a pandemia, um como pano de fundo (Woodgate et al., 2021) e outro como modificadora de várias experiências, inclusive a temporal, em pacientes com transtornos mentais prévios (Lau et al., 2022). Embora tenham sido encon-trados artigos que abordem elementos constituintes da temática deste estudo, a relação entre tempo vivido, depressão e pandemia de Covid-19 ainda não foi investigada na perspectiva desta pesquisa, remetendo ao seu valor científico.
A alteração na vivência do tempo, possivelmente intensificada na pandemia, está no cerne da depressão de acordo com a psicopatologia fenomenológica. Tendo isso em vista, o objetivo deste artigo é ampliar a compreensão sobre o tempo vivido e a depressão durante a pandemia, embasado pela psicopatologia fenomenológica, o que é relevante conside-rando o acometimento de mais de 300 milhões de pessoas no mundo pela depressão e o aumento em 25% na sua prevalência global no primeiro ano do surto da doença (Organização Mundial da Saúde, 2022).
Para isso, o desenvolvimento deste estudo será estruturado conforme a seguir: 1) Tempo vivido; 2) Tempo e depressão na psicopatologia fenomeno-lógica; 3) Depressão e pandemia; 4) Pandemia e tempo.
Tempo vivido
Minkowski (1933/1968, 1933/1973) afirmou que o estudo do tempo teria que contemplar a sua dimensão qualitativa, retomando o conceito bergsoniano de tempo vivido, que considera a introspecção e a experiência de vida dos indivíduos. Nessa dimensão, o tempo pode ser vivenciado em diferentes velo-cidades e intensidades, guiado pelas situações e sentimentos. Um exemplo é a passagem vagarosa dos instantes marcados pelo tédio em oposição à passagem rápida dos instantes sentidos como prazerosos. O indivíduo pode estar no presente envolvido por memórias passadas, de forma que viva o passado mais intensamente que o presente em curso. A dimensão qualita-tiva do tempo foi percebida por Eugène Minkowski nele mesmo e na obser-vação dos soldados durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Nessa ocasião, os combatentes eram impossibilitados de se orientar, pelo horário do relógio ou calendário, há quantos dias estavam em combate. O tempo era experienciado de acordo com as batalhas disputadas e quanto faltava para o momento do descanso.
Tempo é devir, uma massa fluída, um oceano em movimento, miste-rioso, grandioso e poderoso que está em todos os lugares. O tempo envolve os indivíduos de todas as formas e constitui o meio sem o qual não poderiam viver. Escoa de forma irremediável, ao mesmo tempo que avança rumo a um amanhã indefinido. O devir é universal, impessoal, sem direção, sem começo nem fim. Não se deixa decompor, tudo se confunde nele e nada do que ele contém pode ser dele separado. Os seres humanos se confundem com suas ondas poderosas e impessoais sem resistência (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
Apesar do devir se apresentar como um fenômeno irracional, refratário a toda fórmula conceitual, ele adquire naturalmente o aspecto de uma linha reta diante da tentativa humana de representá-lo, possibilitada pela existência dos fenômenos da duração e da sucessão. Esses fenômenos de natureza espaço temporal se intercalam e se escalonam entre os aspectos irracional e racional do tempo, permitindo a passagem de um ao outro e indicam o porquê e como o pensamento chega a assimilar o tempo e o espaço de um modo totalmente natural (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
Por mais paradoxal que possa parecer, o tempo não parece fluir e os seres humanos não parecem se sentir levados por uma rapidez vertigi-nosa. Pelo contrário, o tempo parece estender-se diante dos olhos humanos e ultrapassar indefinidamente toda duração vivida e toda sucessão, o que é alcançado pelo fenômeno da continuidade vivida. Embora não haja continui-dade estabelecida diante dos seres humanos, o tempo se desdobra e se renova continuamente em seus elementos. Conforme as sucessões se perpetuam, percebe-se um fator de estabilidade, extensão e consistência desembaraçando e se penetrando naturalmente no devir, originando sentimentos de apazigua-mento, sossego e segurança, que estão em harmonia com a tonalidade da vida humana em relação ao tempo (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
Ao pensar na direção do devir, chega-se ao fenômeno do ímpeto vital. Na vida, tudo o que possui uma direção no tempo tem um ímpeto, avança e progride para o futuro. Os indivíduos tendem, espontaneamente, com toda a sua força e seu ser para o futuro, realizando toda a plenitude de vida que são capazes. O futuro e o ímpeto vital estão tão intimamente ligados um ao outro que são apenas um. É o ímpeto vital que desvela a existência do futuro, que dá a ele um sentido, proporcionando sua abertura e criação diante dos seres humanos (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
O ímpeto vital não parte de algum lugar, é um fenômeno geral e inde-finido, se reduz e se fraciona no tempo em ímpetos particulares. Cada um deles se dirige para um objetivo preciso e todos parecem suceder-se, esten-der-se, encadear-se naturalmente formando a história da vida dos seres humanos. Antes que um objetivo tenha sido inteiramente alcançado, os indiví-duos já tendem a outro. Cada objetivo atingido marca uma etapa que prepara a seguinte, fazendo com que a tarefa dos indivíduos no mundo não acabe (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
Segundo Minkowski, existir significa viver o tempo, o que permite afirmar que o tempo é uma experiência vital, estruturada em presente, passado e futuro. Viver o tempo é estar no agora, que se desdobra em um presente dinâmico, antecipar o futuro imediato (atividade e espera), o mediato (desejo e esperança) e o absoluto (prece e ação ética), assim como resgatar o passado por meio da recordação, do remorso e do pesar (Costa & Medeiros, 2009).
O futuro é a direção para a qual a vida dos seres humanos está orientada. Pode ser antecipado por meio da atividade, considerada um fenômeno vital na medida em que viver demanda ser ativo em algum nível. É por meio da atividade que os seres viventes têm a possibilidade de criar, sentir a realização de uma obra pessoal e avançar na vida tendendo ao futuro. A atividade trans-cende fracassos e vitórias, refere-se às bases da experiência humana, relativas ao que os indivíduos são capazes de realizar. Minkowski pontuou que na guerra a atividade era a comprovação de que ainda se estava vivo por corres-ponder à sensação de realização de uma obra pessoal (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
Do lado oposto à atividade, está a espera; nela o tempo é vivido em um sentido inverso. Ao invés de agir, o sujeito observa o futuro indo em sua direção e espera que ele se faça presente. Faz com que o indivíduo fique para-lisado por suspender a atividade e, por conseguinte, a vida. O devir, concen-trado fora do indivíduo, cai sobre ele de forma potente e hostil. O presente é destruído pela expectativa ansiosa do futuro e o ímpeto vital é submetido a uma pausa repentina, o que causa grande angústia. A atividade e a espera são categorias opostas que determinam as atitudes do indivíduo de expandir-se rumo ao futuro e de encolher-se diante dos golpes externos (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
O desejo abre o futuro diante do indivíduo, que ao desejar costuma fazê-lo em relação ao que não possui, podendo fornecer um significado para sua vida e preencher seu vazio existencial. O desejo contém a atividade dentro de si, é mais fixo e duradouro que ela, oferecendo possibilidades para a atividade realizar a sua obra. A esperança é vivenciada na mesma direção futuro-presente que a espera, mas seu prolongamento não é linear. A esperança libera o indivíduo do aperto ansioso da espera, direcionando-o a uma instância mais distante do porvir. É a característica que permite ao devir se apresentar como esfera de possibilidades (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
A prece é uma atitude de elevação adotada em algumas circunstân-cias da vida que permite a antecipação do futuro de forma absoluta. Surge em momentos nos quais a vida parece estar ameaçada e a esperança não é conforto suficiente para o indivíduo, sendo necessário ir além dela. Já a ação ética, é o suporte da vida e a abertura do futuro diante dos indivíduos. É por meio dela que o sujeito realiza seus valores e o que há de humano em si (Minkowski, 1933/1968; 1933/1973).
O passado tem o poder de invadir o presente, é o tempo já vivido que pode ser recuperado por meio das categorias recordação, remorso e pesar. A recor-dação produz e reproduz o passado, revivendo-o no aqui-e-agora por meio de uma data, da manifestação do cheiro, da cor e da visão do passado e da tristeza aguda por um passado presente na realidade psíquica, mas ausente na realidade fi objetiva (Minkowski, 1933/1973). O remorso é outra categoria que abre espaço para o passado adentrar no presente, faz o passado sobreviver ao fixar nele um ponto. Ao mesmo tempo que retoma o passado, pode abrir o caminho para o futuro ao reparar falhas (Costa & Medeiros, 2009). Já o pesar, mais ameno que o remorso, refere-se ao lamento pelo bem que não foi realizado ou pelo mal que se deu e poderia ter sido evitado (Minkowski, 1933/1973).
A harmonia entre esses fenômenos temporais molda a forma subjetiva de viver o tempo, ou seja, o tempo vivido, que é orientado para o futuro. No entanto, em algumas situações essa harmonia pode ser abalada, o que perturba o tempo vivido e o ímpeto vital, ocasionando o aparecimento de psicopatolo-gias (Cavaletti & Heimann, 2020).
Tempo e depressão na psicopatologia fenomenológica
Os desenvolvimentos de Eugène Minkowski sobre o tempo partiram, principalmente, da sua experiência ao acompanhar por dois meses, dia e noite, um paciente de 66 anos com melancolia esquizofrênica. O caso inti-tulado "Estudo psicológico e análise fenomenológica de um caso de melancolia esquizofrênica" foi apresentado na 63ª Jornada Científica da Sociedade
Suíça de Psiquiatria, em 1922, e é considerado um documento histórico e inaugural para a psicopatologia fenomenológica, especialmente para a psico-patologia fenômeno-estrutural, tendo sido apresentado como um exemplo de análise fenômeno-estrutural quatro décadas após a sua primeira publicação (Minkowski, 1923/2019), utilizando o tempo como lente para uma releitura humanizada da compreensão e do tratamento das psicopatologias (Faizibaioff & Antúnez, 2015).
Nesse trabalho, Minkowski afirmou que a estrutura da personalidade humana poderia ser estudada a partir do problema do tempo. Ele usava várias metáforas para explicar sua visão, como a de um edifício no qual o ímpeto vital seria a sua sustentação. O abalo dessa sustentação levaria o edifício ao desmoronamento. Da mesma forma, a alteração do ímpeto vital estaria relacionada às manifestações sintomáticas da personalidade do paciente (Minkowski, 1923/2019). Para a psicopatologia fenômeno-estrutural, "a metáfora é a expressão indireta de objetos ou sentimentos em seus compo-nentes mais concretos e sensoriais, ao passo que o símbolo está ligado a abstrações intelectuais" (Villemor-Amaral & Yazigi, 2010, p. 18), este último mais próximo à psicanálise.
O caso trata de um senhor com ideias de ruína e culpa. O paciente acre-ditava que seria castigado cruelmente pelos seus erros: sua esposa e filhos teriam seus braços e pernas esquartejados e ele teria um prego cravado na cabeça, todos os restos dos objetos presentes no mundo seriam introduzidos no seu ventre, ele seria mutilado e jogado em uma jaula com feras até sua morte. Todos, exceto sua família, faziam parte desse plano. O paciente afirmava que a execução final ocorreria na próxima noite e não conseguia dormir tomado pela angústia. Após vários dias, ele mantinha a certeza de que sua execução seria na noite seguinte (Minkowski, 1923/2019). Nesse caso, foi possível perceber a sintonia e a esquizoidia, funções essenciais da "faculdade de vibrar em uníssono com o ambiente" (Minkowski, 1966/1999, p. 165), definidas por Eugen Bleuler (1857-1939), que existem em propor-ções variáveis em todo indivíduo e determinam a sua atitude em relação ao ambiente. Os acessos de melancolia apelando por compaixão, marcados por lamentações e infortúnios, eram uma tentativa do paciente vincular-se ao ambiente, uma manifestação de sintonia. Já os diálogos comuns que se desenrolavam em manifestações delirantes, eram sinais de desconexão com o ambiente, aspectos que marcam a esquizoidia (Minkowski, 1923/2019). De acordo com Minkowski (1927/2000), o ambiente era representado pela própria pessoa com quem o paciente estava.
Minkowski se deu conta que o tempo do paciente se fragmentava e ele perdia a ressonância no contato com o outro, sua vida não tinha cor. Seu devir estava barrado por suas ideias delirantes. O passado o imobilizava pelas ideias de culpa, o tempo presente aparecia sob a forma de ideias indignas de ruína e o futuro parecia estar impedido (Antúnez, 2014).
Minkowski acompanhava pacientes e, além da melancolia esquizo-frênica, observou os estados depressivos que, embora da forma como foram denominados por ele não se encaixem nas classificações dos sinais e sintomas que constam dos manuais diagnósticos contemporâneos, fornecem impor-tantes contribuições para a compreensão dos pacientes com essas vivências e tiveram um papel fundamental para o olhar da depressão na perspectiva temporal.
Nesses pacientes, Minkowski percebeu uma desagregação da noção do tempo, marcada por uma sensação de deslocamento em relação ao devir circundante, ausência de sensação de continuidade, de noção de progressão no tempo, presença de culpa e lamento. Os pacientes apresentavam uma relação perturbada e uma inexistência de vínculo com o presente. Por outro lado, havia obsessão, domínio e presentificação do passado. Nessas condições, o futuro era visto como certeza de incurabilidade e repetição do passado, que direcionava as decisões dos indivíduos por meio das recordações (Minkowski, 1933/1973; 1966/1999).
Na perspectiva fenomenológica, os transtornos psicopatológicos são vistos como expressão profunda de uma modificação de toda a existência do sujeito e não apenas uma sobreposição de sintomas (Bloc et al., 2016). Por mais que os comportamentos sintomáticos sejam globalmente semelhantes, as vivências patológicas possuem um significado único para cada paciente (Antúnez, 2014). Essa compreensão inédita da psicopatologia fenomeno-lógica foi inaugurada no século XX por Eugène Minkowski (1923/2019) e Ludwig Binswanger (1923/1973), inspirada nos pensamentos pioneiros de Karl Jaspers (1911/1979), de quem foram contemporâneos, e, apesar das parti-cularidades adquiridas ao longo do tempo, é ainda amplamente difundida no século XXI (Fuchs, 2002; Messas & Fernandez, 2022; Parnas, Sass & Zahavi, 2013; Stanghellini & Broome, 2014; Tamelini & Messas, 2017).
Karl Jaspers (1883-1969), psiquiatra e filósofo alemão, pioneiro na utili-zação da fenomenologia husserliana nos estudos psicopatológicos, também percebeu alteração na vivência do tempo em pacientes depressivos. Relatou que esses pacientes tinham a sensação de que o tempo não queria ir adiante, estava perdido para eles. Embora vissem o ponteiro do relógio se movendo para frente, parecia que o tempo não acompanhava esse movimento e tudo ficava parado. Era como se não houvesse futuro para eles, por isso não tinham propósitos, preocupações e esperanças (Jaspers, 1911/1979).
A psiquiatria fenomenológica contemporânea seguiu esse caminho com Thomas Fuchs e Matthew Ratcliffe, dentre outros. Fuchs (2001) propõe uma leitura da depressão a partir de um desacoplamento entre o tempo subjetivo e o mundano, o que chamou de dessincronização intersubjetiva. Na ausência de progresso ou realização pessoal, o depressivo fica preso em um tempo arrastado, abandona o tempo compartilhado e vive um tempo próprio. Para Ratcliffe (2012), a depressão envolve o desaparecimento gradual de objetivos e projetos que permitem a visualização do futuro. Essa perda de possibili-dades significativas acarreta uma mudança no sentimento existencial, pois a passagem do tempo torna-se irrelevante e pode deixar de existir quando nada é esperado ou planejado.
Depressão e pandemia
A pandemia de Covid-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020, exigiu medidas de contenção da disseminação do vírus que promoveram uma intensa e repentina remodelação do modo de vida até então em curso (Ding et al., 2021). Muitos estudos mostram seus efeitos na saúde mental de diferentes grupos em vários países do mundo.
O estudo de Wang et al. (2020), realizado em uma universidade americana do Texas com 2.031 participantes, mostrou que mais de 70% dos jovens relataram aumento dos níveis de estresse e ansiedade na pandemia, quase 50% apresentaram um nível moderado a grave de depressão e quase 20% relataram pensamentos suicidas. O estudo de Aslan et al. (2020), realizado com 358 estudantes de 14 universidades da Turquia, mostrou que mais de 50% dos estudantes apresentaram ansiedade e mais de 60% apresentaram depressão na pandemia. O estudo de Gavurova et al. (2022), com 1.422 participantes da República Tcheca e 1.677 participantes da Eslováquia, mostrou que aproximadamente 50% da amostra total apresentou queixas de depressão nesse período.
O estudo de Dozois (2021) teve como objetivo determinar o impacto da pandemia nos níveis de ansiedade e depressão em 1.803 participantes cana-denses. A porcentagem de entrevistados que indicaram ansiedade alta a extre-mamente alta quadruplicou (de 5% para 20%) e o número de participantes com depressão autorrelatada elevada mais que dobrou (de 4% para 10%) desde o início da Covid-19.
O estudo de Marzo et. al (2021) com 1.544 participantes examinou a prevalência e os determinantes de depressão e ansiedade na população da Malásia durante a terceira onda da pandemia no país (outubro de 2020). Os resultados mostraram que um quarto (25,1%) dos participantes apresentava sintomas depressivos graves, quase um sexto (18,7%) apresentou sintomas depressivos leves e um terço (34,1%) apresentou sintomas de ansiedade leves a moderados.
O estudo longitudinal de Rutland-Lawes, Wallinheimo e Evans (2021), realizado na Inglaterra, comparou os sintomas autorrelatados de depressão de junho/julho de 2020 de 5.331 participantes com idade maior ou igual a 50 anos aos dados de base de dois a três anos antes. Os resultados de depressão aumentaram significativamente considerando cada paciente, 14% preen-cheram os critérios para depressão clínica no início do estudo, em comparação com 26% durante a pandemia.
O estudo de Wechsler et al. (2022), com 396 participantes adultos na Alemanha, mostrou aumento nas preocupações, tensão, falta de alegria e aumento nos problemas de saúde mental. Os resultados mostraram aumento de 26% nos sintomas de depressão e 25,5% nos sintomas de transtorno de estresse pós-traumático. Um em cada dez participantes (10,4%) relatou um aumento nos sintomas depressivos, e quase dois em dez (18,4%) relatou aumento nos sintomas de TEPT.
Embora a maioria dos estudos apresentados tenha mostrado um aumento da depressão e outras questões de saúde mental no início da pandemia, segundo Ding et al. (2021), seus efeitos terão grande impacto na vida dos seres humanos, principalmente na saúde mental, mesmo após a diminuição e o término do contágio. Corroborando com Ding et al. (2021), o estudo de Hu et al. (2022), realizado com 151 universitários em Michigan, para investigar as consequências da pandemia na saúde mental de universitários após dois anos do início do surto, mostrou que 95,7% da amostra apresentou transtornos de humor moderados ou graves, incluindo a depressão.
Pandemia e tempo
A experiência com a pandemia tem impactado a forma como os seres humanos vivenciam o tempo, o que corrobora com os achados de vários estudos realizados no mundo. O estudo de Lau et al. (2022) realizou entre-vistas com 19 pacientes internados com problemas de saúde mental e com 17 profissionais de saúde na Alemanha. As análises revelaram que a pandemia e as medidas relacionadas levaram a uma perda repentina do senso de norma-lidade. Os participantes experimentaram mudanças na percepção de tempo, sentido mais lento e mais pesado, acompanhado por uma sensação de depressão, resultando em um profundo sentimento de desamparo que pareceu intensificar a psicopatologia preexistente.
Droit-Volet et al. (2021) realizaram um estudo longitudinal na França, com 1.101 participantes, divididos em duas amostras: a primeira foi avaliada durante o primeiro lockdown (abril de 2020) e um ano depois (abril de 2021), e a segunda foi avaliada durante o primeiro lockdown (abril de 2020), depois de seis meses (novembro 2020) e um ano depois (abril de 2021). O objetivo do estudo foi avaliar a evolução ao longo do tempo da experiência subjetiva do tempo e seus preditores significativos (tédio, diminuição da felicidade, ritmo de vida e qualidade do sono). As análises mostraram que o confina-mento domiciliar interrompeu o fluxo do tempo ao atrapalhar a vida cotidiana, fazendo com que as pessoas sentissem que o tempo estava passando lenta-mente. A sensação foi de que o tempo passou lentamente desde o início do 1 primeiro lockdown e não retomou seu curso normal, o que pode ser explicado por um sentimento persistente de tédio, característico de um estado depressivo que se apoderou da população.
O estudo de Ogden (2020), realizado com 604 participantes em abril de 2020, examinou como a passagem do tempo foi distorcida durante o período de lockdown no Reino Unido. Usando um questionário online, foram coletados julgamentos de passagem de tempo e medidas de afeto, carga de tarefas e satisfação com os níveis atuais de interação social. Os resultados mostraram que mais de 80% dos participantes experimentaram distorção na passagem do tempo durante o lockdown em comparação com o normal. A desaceleração da passagem do tempo foi associada ao aumento da idade, aumento do estresse, redução da carga de tarefas e redução da satisfação com os níveis de interação social. Essas descobertas demonstraram que mudanças significativas na vida cotidiana tiveram um impacto significativo na experiência humana com o tempo, influenciada pelas atividades realizadas e pelas emoções sentidas, em que pessoas mais jovens e socialmente satisfeitas estavam mais propensas a experimentar o tempo passando mais rapidamente durante o lockdown.
Grondin, Mendoza-Duran e Rioux (2020) olharam a quarentena durante a pandemia como uma interrupção da vida normal dos seres humanos. Sem
treinamento para lidar com a perda de marcos temporais e sem prazos claros para recuperar a vida normal, as pessoas experimentaram confusão sobre alguns aspectos do tempo e perceberam sua importância na organização da vida. As pessoas que tiveram mais tempo livre podem ter prestado mais atenção no tempo, que pode ter parecido passar mais devagar, e apresen-taram mais tédio. Além disso, quando as pessoas fazem avaliações de expe-riências temporais passadas, esses julgamentos são propensos à falibilidade dos processos de memória. Isso é especialmente verdadeiro em relação às condições em torno da quarentena, na qual os marcos temporais familiares não estavam disponíveis, levando à perda de pistas úteis usadas para o plane-jamento, mudanças que podem confundir a relação humana com o tempo.
Embora os estudos acima tenham avaliado a relação das pessoas com o tempo nas situações de lockdown, Holman e Grisham (2020), que traba-lharam mais de 25 anos no exame da percepção do tempo no contexto de exposição ao trauma, trataram a pandemia em si, não só o lockdown, como um trauma coletivo e deformador do fluxo do tempo. Para eles, o tempo é a janela através da qual os seres humanos vêem suas vidas desenrolarem, constroem suas identidades, identificam ambições futuras e mantêm seu i senso de moral. Sendo assim, a interrupção do fluxo do tempo causada pelo trauma pode desnudar a fachada do futuro, forçar as pessoas a viverem no momento presente e expandir a experiência do presente traumático para que ela preencha a consciência. Essas percepções alteradas do tempo foram deno-minadas desintegração ou descontinuidade temporal: um processo no qual o pensamento sequencial é prejudicado, o aqui-e-agora parece isolado da conti-nuidade do tempo, nada há antes ou depois dele. A interrupção do fluxo do tempo cria distorções perceptivas, como sentir que o tempo parou ou que tudo está em câmera lenta, experimentar uma sensação de atemporalidade, confundir a ordem do tempo e dos dias e perceber um futuro encurtado.
Considerações finais
Além da dimensão quantitativa, vastamente estudada, o tempo pode ser visto na sua dimensão qualitativa, o tempo vivido, que considera a intros-pecção e a experiência vivida dos indivíduos. Neste estudo, foi possível adentrar na compreensão sobre o tempo vivido, enxergá-lo como devir rumo ao futuro, regido pelo ímpeto vital. Foi possível visualizar a sua composição por elementos, como a duração e a sucessão, que se desdobram estabelecendo a sensação de continuidade. Foi possível também ir além da estruturação do tempo em presente, passado e futuro, apresentando as categorias que permitem que o tempo seja vivido em sua complexidade: atividade e espera antecipam o futuro imediato; desejo e esperança antecipam o futuro mediato; prece e ação ética, antecipam o futuro absoluto. Da mesma forma, o passado pode ser resgatado por meio da recordação, do remorso e do pesar.
Este artigo apresentou dados de estudos científicos realizados em vários países do mundo que permitem relacionar a pandemia à depressão e a pandemia à alteração na vivência do tempo, considerando a perspectiva da psicopatologia fenomenológica, que coloca a alteração na vivência do tempo como central na depressão. Nesses casos, em suma, o tempo vivido é marcado por uma sensação de futuro impedido, condição inerente ao período da pandemia devido às incertezas que o permearam. Nessa perspec-tiva, é possível dizer que a pandemia teve uma contribuição na ocorrência de depressão, o que requer a realização de outras pesquisas para melhor inves-tigar essas relações e, consequentemente, a vivência do tempo em deprimidos nessa situação de crise.
Agradecimentos: Ao apoio FAPESP, processo n. 2022/06740-5.15
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Abstract
O tempo foi amplamente investigado por Eugène Minkowski, retomando os conceitos de Henri Bergson de tempo cronológico e duração vivida. Apesar de algumas divergências, a influência bergsoniana contri-buiu para os estudos de Minkowski, que buscou alcançar as características e as alterações do tempo vivido nos pacientes. A alteração na vivência do tempo - possivelmente intensificada na pandemia de Covid-19 - está no cerne da depressão de acordo com a psicopatologia fenomenológica. Assim, o objetivo deste artigo é ampliar a compreensão sobre o tempo vivido e a depressão durante esse período, o que é relevante considerando o acometimento de mais de 300 milhões de pessoas no mundo pela depressão e o aumento em 25% na sua prevalência global após o primeiro ano de contágio do vírus.





