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Abstract
O aumento e disseminação da resistência a antimicrobianos torna necessário o procura de novas estratégias para combater infeções não tratáveis e muitas vezes mortais, causadas por microrganismos quer na forma planctónica quer organizados em biofilmes. A terapia fotodinâmica antimicrobiana tem-se revelado uma alternativa capaz de inativar microrganismos, independentemente do seu perfil de resistência aos antimicrobianos convencionais. Contudo, a baixa eficácia de fotosensibilizadores (PS) neutros e aniónicos na inactivação de bactérias de gram-negativo e fungos, bem como os elevados custos de produção e purificação associados, tem exigido à comunidade científica encontrar moleculas ou coadjuvantes que permitam aumentar a fotoinactivação microbiana (aPDT) e com diminuição dos custos associados quer pela diminuição da quantidade de composto aplicado quer pela diminuição do tempo de tratamento.
Estudos recentes, demonstraram que o iodeto de potássio (KI), um sal inorgânico, é capaz de potenciar o efeito de alguns PS porfirínicos e não porfirínicos catiónicos e não catiónicos. Estes estudos mostraram sempre nos PS testados um efeito potenciador do KI. Assim, o presente trabalho teve como objectivo determinar as características dos PS que influenciam o efeito potenciador do KI, usando para tal PS com características diferentes. Para tal, foram realizados ensaios de aPDT usando como modelo uma estirpe de Escherichia coli bioluminescente. Nestes ensaios o KI (50 mM e 100 mM) foi testado na presença de diferentes PS porfirínicos catiónicos substituídos quer em posições meso (incluindo uma formulação constituída por uma mistura de cinco porfirinas - FORM) quer nas posições ‐pirrólicas, e PS não porfirínicos [Azul de metileno (MB), Rosa Bengal (RB), Azul de Toluidina (TBO), Violeta Cristal (CV) e Verde de Malachita (MG)]. Os resultados evidenciam que o KI é capaz de potenciar o efeito antibacteriano da maior parte dos PS testados, permitindo reduzir ainda o tempo de irradiação necessário para produzir o efeito fotodinãmico desejado. Contudo, não se observa o efeito potenciador do KI quando combinado com todos os PS porfirínicos e não-porfirínicos. Uma comparação dos resultados obtidos com os da literatura permite confirmar que o efeito potenciador quando o sal KI é combinado com um PS depende da produção de oxigénio singleto (1O2) por parte do PS, da sua estrutura (número de cargas e a sua posição espacial), da sua tendência para agregar e da sua afinidade para com as estruturas externas dos microrganismos.
Na segunda fase do trabalho pretendeu-se avaliar a capacidade da formulação porfirínica (FORM, de fácil preparação e obtenção comparativamente com as respectivos constituintes puros), e da combinação da FORM com KI (100 mM) na inativação de vários microrganismos (bactérias e fungos) quer na forma planctónica quer em biofilmes. Para tal, foram realizados ensaios com os seguintes microrganismos: E. coli resistente ao clorofenicol e à ampicilina (bactéria de gram-negativo), Staphyloccocus aureus resistente à meticilina (bactéria de gram-positivo), o fungo Candida albicans; quer na forma livre quer em biofilmes; bem como um bacteriófago tipo T4, utilizado como modelo de vírus humano. Os resultados obtidos mostraram que a FORM isoladamente é eficaz na inativação de bactéias, fungos e vírus na sua forma planctónica, e quando usada em combinação com o KI o seu efeito antimicrobiano é intensificado.
A combinação da FORM com o KI foi também eficaz na destruição de biofilmes bacterianos e fúngicos, e evitou a formação de biofilmes bacterianos, o que não se verifica quando a FORM foi utilizada isoladamente. A utilização da FORM combinada com KI em aPDT permitiu reduzir a concentração de PS e o tempo de tratamento o que facilitará possíveis aplicações quer na clínica quer no ambiente.





