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Abstract
O cancro do osso compõe próximo de 1% da totalidade dos casos de cancro. Atualmente, a remoção cirúrgica é o método mais comum de tratamento deste tipo de tumor maligno, com possível recorrência à quimioterapia e radioterapia. Uma nova forma de tratamento para este tipo de doença é a hipertermia magnética recorrendo à aplicação de biomateriais baseados em nanopartículas superparamagnéticas, como a magnetite, utilizada neste trabalho. A remoção do tecido canceroso resulta em defeitos ósseos que podem ser restaurados graças à capacidade regenerativa de vidros bioativos.
O objetivo deste projeto foi o desenvolvimento de uma membrana magnética baseada em nanofibras porosas e em nanofibras não-porosas de ácido poliláctico (PLA) através da técnica de eletrofiação, com nanopartículas magnéticas (MNP’s) e biovidro mesoporoso (MBG) incorporados na solução precursora de eletrofiação. Assim, esta estrutura desenvolvida terá não só a capacidade de eliminar tecidos cancerosos ósseos de forma controlada, graças à técnica de hipertermia magnética das MNP’s, como recuperar as porções do osso previamente afetadas, por ação da regeneração óssea proveniente da bioatividade do MBG.
Primeiramente, foi otimizada a técnica de eletrofiação de nanofibras usando PLA, estudando combinações dos solventes orgânicos diclorometano (DCM) com N-N-dimetilformamida (DMF) ou ácido trifluoroacetético (TFA). As MNP’s foram sintetizadas por co-precipitação química e revestidas por ácido oleico (OA) de forma a torná-las hidrofóbicas, possibilitando a sua dispersão nos solventes orgânicos utilizados, e estabilizando-as impedindo a sua agregação. Foram produzidas membranas de nanofibras porosas de PLA usando proporções de DCM/DMF 9:1 e membranas de nanofibras não-porosas de PLA usando proporções de DCM/TFA 1:1. Estas membranas produzidas foram analisadas por SEM, TEM, EDS e FTIR, e submetidas a ensaios de tração mecânica, hipertermia magnética, bioatividade e citotoxicidade. Deste modo, estudou-se a sua morfologia e composição química, e avaliada a sua capacidade mecânica, de aquecimento, regeneração óssea e biocompatibilidade.
Estes novos tipos de membrana irão compor uma nova solução de tratamento para o cancro com recurso a biomateriais, possibilitando uma alternativa aos métodos de tratamento mais convencionais do cancro ósseo e reduzindo os seus efeitos secundários.





