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Abstract
O trabalho sexual, enquanto área laboral, apresenta vários desafios particulares, tais como a negação do reconhecimento social e legal, estigma, invisibilização e precariedade. Estes fatores dificultam a organização coletiva de trabalhadories do sexo (TS) sendo, por isso, pouco frequente evidenciar casos bem-sucedidos de sindicalização neste contexto. Nesta investigação analiso a emergência de um Sindicato de Trabalhadories do Sexo – Sindicato OTRAS, constituído em Espanha, como um exemplo emblemático de organização de TS. Este Sindicato, para além de representar um caso inédito na Península Ibérica, desde a sua constituição vivenciou processos de marginalização e de afirmação. A partir deste estudo de caso, examino como operam dinâmicas da sexopolítica. Compreendo, neste sentido, como funciona a aplicação das tecnologias do biopoder na sexualidade no paradigma pós-fordista, bem como a produção dissidente e subversiva à normalização, que é inerente a estas complexas relações de poder. A análise de recursos jurídicos, de material jornalístico, juntamente com entrevistas realizadas a membros do Sindicato, ativistas na área do trabalho sexual, juristas envolvides na discussão e representantes de partidos políticos, serviram como base empírica para desenvolver as questões centrais que guiam esta investigação. As conclusões deste projeto vão no sentido de evidenciar como atuam as estratégias de exclusão, silenciamento e produção de liminaridade aos níveis social e institucional. Simultaneamente, afirmam-se relações de tensão, negociação e contra-hegemónicas. Estas dinâmicas são demonstráveis partindo dos exemplos de resistência do Sindicato OTRAS, que arquiteta as reivindicações de direitos para TS fundamentadas em traços ímpares na organização coletiva: cuidados, vínculos e intimidade como ação política.





