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Abstract
O discurso mediático e o discurso científico têm veiculado a associação das culturas juvenis ao tema do desvio e, mais recentemente, caracterizado a apropriação do espaço pelos jovens como ameaça à ordem pública. Assim, considerámos pertinente aceder à perspectiva dos actores sociais e desconstruir discursos dominantes em torno do movimento que se tem gerado na Baixa do Porto, do qual os jovens são os principais protagonistas. Por um lado, pretendemos perceber como é que as formas de ocupação do tempo neste concentrador juvenil se ligam ao processo de construção identitária dos jovens, visando aceder às suas significações sobre as mesmas; por outro, visámos alcançar a compreensão do processo inverso – da forma como os jovens ajudam à produção da cidade. Tendo como base estas questões de investigação, realizámos um estudo exploratório de cariz etnográfico com jovens que frequentam o concentrador supra-referido nos seus tempos de lazer nocturno. No mesmo sentido, foi elaborado um diário de campo relativo às nossas incursões ao terreno. Para além das entrevistas semiestruturadas realizadas com jovens, realizámos também entrevistas com estudantes que efectuaram um período de mobilidade no estrangeiro, de forma a comparar o fenómeno com a noite de outras cidades europeias. Por fim, conduzirmos entrevistas com trabalhadores e moradores da cidade, visando comparar e contrastar os sentidos atribuídos.
Da nossa investigação realçamos o facto de os jovens co-construírem e experimentarem activamente identidades no contexto da cidade, identidades essas que, por sua vez, têm o poder de transformar o espaço, ao apropriarem-no e investirem-no de significados.





