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Abstract
A malária é uma das doenças infeciosas mais prevalentes no mundo 1. É causada por parasitas protozoários do género Plasmodium ,os quais são transmitidos aos seus hospedeiros mamíferos através da picada de um mosquito Anopheles fêmea infetado 1,2 . A primeira fase da infeção, obrigatória e assintomática, ocorre no fígado e é iniciada quando os esporozoítos injetados invadem os hepatócitos do hospedeiro 2,3 . Aí, os parasitas diferenciam-se e desenvolvem-se até se formarem merozoitos, que são libertados na corrente sanguínea, infetando ciclicamente os eritrócitos e causando os sintomas da malária 2,3.
A multiplicação dos parasitas durante a fase hepática da infeção é sustentada pela obtenção de nutrientes a partir do seu hospedeiro. Um desses nutrientes é a arginina (Arg), cujo metabolismo é crucial para o desenvolvimento intra-hepático do parasita 4.
A Arg tem-se tornado cada vez mais popular na suplementação nutricional dada a sua capacidade de estimular o sistema imunitário 5 , sendo a única suplementação baseada em aminoácidos avaliada no contexto da malária. No entanto, embora a suplementação com Arg possa aumentar a produção de óxido nítrico (NO), diminuir a parasitemia, e melhorar a sobrevivência em modelos animais de infeção por Plasmodium ,os resultados obtidos na clínica têm sido inconclusivos 6,7,8.
Resultados preliminares do laboratório de acolhimento demonstraram que a suplementação de murganhos C57Bl/6 com RKV, em que a administração de Arg (R) é combinada com a de Lisina (K) e Valina (V), dois aminoácidos descritos como inibidores da arginase, leva a uma diminuição acentuada da infeção hepática, sobretudo através da redução do número de hepatócitos infetados, sugerindo uma eliminação dos parasitas. No entanto, permanece por esclarecer se este fenótipo é recapitulado noutras estirpes de murganhos. Assim, o primeiro objetivo desta tese foi caracterizar a infeção hepática por Plasmodium em murganhos BALB/c após suplementação com Arg e RKV. Demonstrámos que a suplementação com Arg é suficiente para inibir a infeção hepática por Plasmodiumem murganhos BALB/c, enquanto a suplementação com RKV pode levar tanto ao aumento como à diminuição da infeção hepática, em ambos os casos afetando principalmente o número de hepatócitos infetados. A razão desses resultados contraditórios permanece desconhecida.
O segundo objetivo desta tese foi elucidar o mecanismo de eliminação hepática do parasita em murganhos C57Bl/6 suplementados com RKV. Demonstrámos que a eliminação do parasita pela suplementação com RKV não depende nem da produção de NO, nem da estimulação da resposta de interferão tipo-I (IFN), anteriormente relatadas como cruciais para o controlo da infeção hepática 9,10. Utilizando murganhos knockoute eliminando populações de células imunes específicas, identificámos as Células Linfóides Inatas (ILCs) como potenciais células imunes efetoras envolvidas na eliminação do parasita dependente de RKV. Adicionalmente, a sinalização através de MyD88 parece ser essencial para a eliminação hepática do parasita após suplementação com RKV, embora as células envolvidas nessa sinalização permaneçam desconhecidas.
Este projeto irá melhorar o nosso conhecimento quanto aos aspetos fundamentais da biologia de Plasmodium e quanto à resposta do hospedeiro face à infeção, abrindo caminho para o desenvolvimento de potenciais novas estratégias que possam vir a ser usadas para controlar a infeção por Plasmodium.





