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Abstract
O objectivo desta dissertação é o de verificar como Lewis Carroll, homem e autor vitoriano, se integra, ou não, nos paradigmas educativos vitorianos, explorando assim uma faceta menos conhecida do famoso autor de Alice in Wonderland: a de educador. Deste modo, pretende-se fornecer, em primeiro lugar, uma panorâmica geral sobre a realidade no domínio da educação na época vitoriana: os paradigmas que marcaram essa era deixaram vestígios bem visíveis ainda nos dias de hoje, mesmo que nem sempre nos apercebamos desse facto.
Observaremos, então, de que forma os factores que se destacam na sociedade vitoriana se relacionam com o acentuado contraste entre as condições de ensino das crianças pertencentes a classes sociais baixas e as das classes mais altas. Analisaremos se esse contraste acaba ou não por prolongar-se até níveis de ensino mais elevados, quando tal se tornou possível para quem tivesse menos possibilidades financeiras. O desenvolvimento industrial teve repercussões a nível estrutural na sociedade e cultura inglesas, fazendo com que a educação básica ou elementar sofresse modificações profundas e contasse, a partir de certa altura, com a supervisão do estado, não sem uma prévia discussão política, que merecerá um olhar atento, acerca das vantagens e desvantagens de tal intervenção, e também das suas consequências.
Deveremos em seguida observar de que forma o status quosuscitou o confronto entre grandes paradigmas a nível do ensino superior. Nesse sentido, será focada a educação liberal, que ocupava um lugar de tradição e era tida como inabalável, e de que forma ela teve de ceder espaço à educação útil, de acordo com as exigências da nova sociedade industrial e comercial.
Transitaremos depois para o percurso de estudante de Lewis Carroll, para assim ficarmos a saber que tipo de educação teve e como ela se revelou na sua carreira enquanto educador e escritor, além de o examinarmos como personalidade notável, não só tendo em conta a época em que viveu, mas também a que a precedeu e a que se seguiu, para contextualização de determinadas perspectivas de diferentes biógrafos e críticos sobre a sua vida e obra.
A opção de utilizar o nome “Lewis Carroll”, o pseudónimo literário, em vez do nome de baptismo, “Charles Lutwidge Dodgson”, tem por base a consideração de que será mais pertinente observá-lo como autor. O facto de ele mesmo utilizar ambas as identidades, por vezes de forma separada, utilizando o verdadeiro nome para as obras relacionadas com a matemática ou com a lógica, opseudónimo nas obras de carácter literário, e nas suas cartas até as misturar, por vezes, não se encontrará aqui em discussão. Terá relevância o seu papel como professor e autor de obras didácticas, mas será dada especial atenção ao domínio ficcional, através do qual, segundo o próprio autor, não pretendia moralizar, donde se pode eventualmente depreender que também não pretendia “ensinar”. Será analisada todavia a existência desta possibilidade sob uma forma indirecta, bem como a provável crítica ao ensino praticado na altura em que viveu, que se entretece nas suas obras, nas quais predomina o nonsense. Observaremos igualmente se este predominava apenas na sua escrita ou também (e porque não dizer: sobretudo) na sua época.





