Content area
Abstract
A Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma das perturbações neuropsiquiátricas mais comuns da infância. Adultos com história pregressa de PHDA, nomeadamente quando concomitantemente padeceram de perturbação do comportamento da infância, apresentam taxas mais elevadas de comportamento anti-social e criminal, acidentes e lesões, gravidezes na adolescência, problemas laborais e conjugais.
Apesar de actualmente ser largamente reconhecida, a Perturbação Bipolar (PB) na infância e adolescência ainda levanta algumas considerações etiológicas e nosológicas. Existe evidência que a PB com início da infância e adolescência precoce pode representar uma forma distinta e possivelmente mais grave da PB com início na adolescência tardia e idade adulta. Do ponto de vista clínico, ainda não foram estabelecidos critérios diagnósticos específicos para esta faixa etária e, os que são utilizados actualmente, não estão adaptados para estas fases desenvolvimentais.
A PB e a PHDA são entidades clínicas graves, de evolução crónica e com grande impacto social, familiar e educacional. Por partilharem sintomas comuns e frequentemente se apresentarem em comorbilidade, o seu diagnóstico diferencial torna-se difícil, porém imprescindível, visto que as suas abordagens terapêuticas são distintas e podem até, agravar os quadros clínicos, quando erroneamente utilizados.
Crianças com ambas as patologias apresentam habitualmente pior evolução e prognóstico. São indivíduos com maior frequência de sintomas psicóticos, depressivos, de ansiedade, problemas escolares e laborais, maior número de hospitalizações e comportamentos disruptivos. A elevada taxa de comorbilidade de PHDA na PB pode ser uma manifestação dependente da idade, que irá decrescer gradualmente.
Os autores pretenderam estudar as alterações de comportamento em dois grupos de adolescentes, um com diagnóstico de PB e outro com diagnóstico de PHDA e compará-los a um grupo controlo, com vista a determinar o seu contributo no diagnóstico diferencial. Com efeito, seleccionam dois grupos de adolescentes entre os 12 e os 18 anos, que frequentavam a consulta de Psiquiatria da Infância e Adolescência com diagnóstico de Perturbação Bipolar e Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção. O grupo controlo foi seleccionado de uma Escola Secundária do Grande Porto, de acordo com os géneros e média etária da amostra clínica. Ao grupo de estudo foram aplicadas as Matrizes Progressivas de Raven e, após serem excluídos os indivíduos com um nível intelectual inferior à média, os sujeitos responderam ao questionário YSR (Youth Self Report). Paralelamente, os pais ou seus representantes legais responderam ao questionário CBCL (Child Behavior Checklist). Quando necessário, o entrevistador permitiu o esclarecimento de dúvidas. Outras informações foram recolhidas por revisão do processo clínico.
btivemos uma amostra de 62 adolescentes – 14 indivíduos com PB; 23 com PHDA e 25 do grupo controlo. Devido ao tamanho da amostra, utilizamos testes não paramétricos para a análise dos dados.





