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Abstract

A presente dissertação de mestrado em Ciências Musicais – Variante de Musicologia Histórica, insere‐se no âmbito da Sociologia da Música, dos estudos de recepção através da crítica musical, dos estudos das políticas institucionais e dos agentes que as fomentam, criticam e, como tal, as integram. Mais especificamente, através da crítica musical, os objectos de estudo que problematizo são as questões que tiveram, de alguma forma, maior relevo nos periódicos generalistas lisboetas e, como tal, produziram tensões entre os diversos agentes do meio musical onde se inseriam, durante os últimos anos da ditadura em Portugal, entre 1970 e 1974. Ao abordar os artigos publicados pelos críticos musicais nos diversos jornais que constituem as fontes primárias desta dissertação, são perceptíveis diferentes modelos discursivos, enquadrando‐se os mesmos em concepções ideológicas da sociedade em geral e do campo da actividade musical em particular; bem como o posicionamento dos diferentes agentes da crítica musical – críticos, compositores, músicos, directores de instituições, entre outros – na classe ou fracção de classe social onde se inserem e onde interagem com as instituições culturais, enquanto integrantes das práticas do campo cultural.

Os estudos de musicologia referentes à segunda metade do século XX, em Portugal, têm‐se desenvolvido de uma forma lenta e têm deixado de parte vários aspectos fundamentais para a compreensão daquilo que foram os vários meios musicais, as diversas personalidades relevantes para o mesmo – bem como as redes de sociabilidade estabelecidas entre as mesmas ‐, os públicos de espectáculos musicais e as instituições que, de certa forma, mediaram todas estas componentes. Na minha opinião, um exemplo disto mesmo, é o número de páginas reservadas à música do período supradito nas monografias generalistas, de carácter histórico, publicadas na década de 1990: História da música (1991), de Rui Vieira Nery e Paulo Ferreira de Castro; e História da música portuguesa(1992), de Manuel Carlos de Brito e Luísa Cymbron. Não pretendendo questionar o mérito ou a relevância das mesmas, pode constatar‐se que em ambas, o espaço reservado à música a partir de 1950 em Portugal é bastante reduzido, estando o seu enfoque situado noutros períodos da história. Surgindo assim no final dos livros e com um número de páginas bastante reduzido, quanto a mim, este facto sugere uma maior preocupação no aprofundamento dos aspectos musicais em Portugal da música de outros períodos da história ‐ como os séculos XVII e XVIII, por exemplo. Dispensando‐me de problematizar a razão desta circunstância, parece‐me importante referir que são fruto do seu “tempo musicológico”, ou seja, das tendências da musicologia de um determinado período, enquadrando‐se assim no âmbito de outras monografias internacionais do mesmo carácter.

Apesar deste cenário, o século XXI trouxe algumas alterações. Parece‐me importante realçar o papel dos centros de investigação em música, sediados na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa: CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical) e INET‐MD (Instituto de Etnomusicologia – Música e Dança). Quer ao nível das publicações, dos grupos de trabalho e de projectos de investigação existentes em ambos é possível perceber uma tendência para um estudo da música mais heterogéneo relativamente aos diferentes períodos da história, através de diferentes abordagens metodológicas e teóricas.

Details

Title
A Crítica Musical na Imprensa Periódica Lisboeta nos úLtimos anos Daditadura em Portugal: 1970 ‐ 1974
Author
Romão, João Nuno Cardante
Publication year
2012
Publisher
ProQuest Dissertations & Theses
ISBN
9798381668339
Source type
Dissertation or Thesis
Language of publication
Portuguese
ProQuest document ID
2925384767
Copyright
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