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Abstract
Introdução:A disfunção tiroideia é a segunda complicação endócrina mais prevalente na grávida que se traduz em inúmeras complicações na gestação e parto. No entanto, não está implementado qualquer protocolo de vigilância/ rastreio específico em grávidas de baixo risco em Portugal.
Objetivos:Averiguar a influência de uma vigilância da função tiroideia programada, contínua e eficaz numa menor incidência de complicações gestacionais e no pós-parto.
Métodos:Estudo retrospetivo observacional com componente prospetiva que incluiu 1194 grávidas, cuja gestação foi vigiada e acompanhada na Consulta de Obstetrícia no CHUCB, entre janeiro de 2017 e maio de 2021. Foram consultados dados clínicos e laboratoriais (Hormona estimuladora da tiroide (TSH), níveis de Tiroxina livre (T4L) e níveis de Triiodotironina livre (T3L) com subsequente análise descritiva e comparativa univariada das grávidas submetidas a rastreio tiroideu versus sem rastreio tiroideu, seguidos da avaliação de preditores de complicações gestacionais e pós-parto por regressão logística.
Resultados: Não existiram diferenças significativas na prevalência de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, RCIU e sofrimento fetal (p=0.321, p=0.854, p=0.104 e p=0.606, respetivamente), apesar destes desfechos terem sido mais frequentes no Grupo que não realizou rastreio tiroideu. Verificou-se, significância estatística na ocorrência de rutura prematura de membranas (p=0.002), anemia (p=<0.001), hipertensão no trabalho de parto (p=0.006), atonia uterina (p=0.001) e malformações fetais (p=0.002), sendo que estes desfechos também ocorreram com maior prevalência no grupo sem rastreio de doenças da tiroide. Existem diferenças estatisticamente significativas no tipo de parto (p=<o.oo1), observando maior incidência de aborto (6%), interrupção médica da gravidez (1,8%) e óbito fetal (1,3%) no grupo sem análise tiroideia. Das grávidas que realizaram rastreio tiroideu, 7.2% apresentou valores anormais tendo sidas posteriormente diagnosticas com hipotiroidismo (65.1%), hipotiroidismo subclínico (30.2%) e hipertiroidismo (4.79%). Segundo o modelo de regressão logística o grupo sem rastreio tiroideu está associado a um aumento da probabilidade de ocorrência de complicações gerais.
Conclusão: A não realização de rastreio da função tiroideia na gravidez está associado a um aumento da probabilidade de ocorrência de complicações gestacionais e pós-parto. Assim, deve ser promovida a introdução de protocolos de vigilância tiroideia a serem implementados na gravidez, com o intuito de prevenir os desfechos adversos neste período.





