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Abstract
A pandemia de COVID-19 tem causado enormes mudanças na vida das pessoas em todo o mundo. O medo associado a uma doença transmissível grave, assim como as principais medidas de controlo da pandemia, como o uso de máscara, o distanciamento social e o isolamento, limitam a quantidade e a qualidade das interações sociais. Assim, foi conduzida uma revisão sistemática da literatura para investigar o impacto das medidas de controlo da Covid-19 na saúde mental de adultos e adolescentes, em artigos publicados até o dia 13 de novembro de 2020. Foram pesquisadas, a partir dos termos: “Covid-19”, “Coronavirus”, “2019-nCoV”, “psych*”, "mental*", "emotional", "distanc*", "quarantine", "isolation", "confinement", "containment" e seus correspondentes em português e espanhol, as bases de dados PubMed e Scielo, além de pesquisa manual em outras fontes. A busca inicial encontrou 146 artigos, dos quais 41 foram incluídos nesta revisão. Os principais resultados encontrados foram o aumento da incidência de sintomas depressivos, ansiosos e de stress, seguidos, com um aumento menor da taxa de incidência, de preocupação com a saúde, Perturbação de Stress Pós-Traumático, hostilidade, medo, angústia, sensação de solidão, problemas de sono e outros. Alguns estudos longitudinais já publicados reforçam estes achados. Além disso, ser mulher, ser jovem e morar só foram apontados como fatores de risco dentro do contexto pandémico. Como fatores protetores foram apontados a prática de desporto, atividades como estudo e trabalho, possuir relações interpessoais satisfatórias e estratégias de coping, como autocontrolo, resolução de problemas, reavaliação cognitiva e cognição racional da situação como forma de enfrentamento. Desse modo, os achados indicam que as medidas de isolamento e distanciamento social já causaram um impacto negativo na saúde mental, que poderá agravar-se com a continuação da pandemia e a necessidade de manter por muito tempo as medidas de controlo que limitam a quantidade e a qualidade das interações sociais.





