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Abstract
O carcinoma da bexiga é o quinto tumor maligno mais comum, representando cerca de 3,2% de todos os cancros no mundo. A sua patogénese envolve alterações genéticas somáticas induzidas por agentes carcinogéneos ambientais, tais como o tabaco, as aminas aromáticas ou o arsénio. Apesar da caracterização elaborada dos fatores de risco, o carcinoma da bexiga ainda é um problema epidemiológico importante, cuja incidência continua a aumentar a cada ano.
A carcinogénese pode ocorrer através da ativação de protooncogenes ou através da perda de genes supressores de tumor, ambos os quais têm sido documentados no carcinoma urotelial (CUB). O CUB, a forma mais comum de carcinoma da bexiga pode ser não-invasor ou invasor, Apesar do carcinoma da bexiga recidivar frequentemente, apresentam um baixo risco de progressão para a doença invasiva e um prognóstico geral favorável. Em contraste, os CUB invasivos caracterizam-se por serem uma doença agressiva, muitas vezes com uma taxa de sobrevida de 5 anos reduzida, apesar do tratamento com cistectomia radical e quimioterapia adjuvante. Ainda que se tenha evoluído nas estratégias cirúrgicas e quimioterapêuticas, a sobrevida na doença invasiva e metastática não apresentou melhorias significativas nas últimas décadas, desde a introdução do BCG na década de 1970 e do MVAC na década de 1980. Neste contexto urge a necessidade de novos alvos terapêuticos.
A proteína alvo da rapamicina nos mamíferos (mTOR) desempenha um papel importante na regulação da tradução de proteínas, crescimento celular e metabolismo. Alterações nesta via de sinalização são comuns no cancro (amplificação/mutação da PI3K, perda de função do PTEN, sobrexpressão do AKT e amplificação/sobrexpressão do S6K1 e eIF4E), e, portanto, o mTOR constitui um alvo terapêutico cada vez mais relevante noâmbito destadoença.
A rapamicina e os seus análogos provaram ser benéficos como agentes anticancerígenos, numa ampla gama e ensaios pré-clínicos, isoladamente ou combinados com outros inibidores de outras vias de sinalização, como terapêutica para vários tipos de cancro. No entanto, são necessários mais estudos para validar o mTOR como agente terapêutico para o carcinoma da bexiga.





