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Abstract
No contexto mundial actual, caracterizado por crescentes e constantes mudanças nos mercados e nas tecnologias, as empresas para serem competitivas, eficientes e lucrativas, devem estar preparadas para acompanhar a rápida metamorfose em curso. Os processos de inovação, de aprendizagem e de acumulação de experiência, são considerados cruciais para sustentar a sua competitividade. O conceito de “curva da experiência” integra, de uma forma simples, estes processos, uma vez que à medida que as organizações vão melhorando o seu desempenho em determinada tarefa, tornam-se, naturalmente, mais eficientes na sua execução. Portanto, quanto mais as organizações “aprendem”, maior facilidade detêm para desempenhar as actividades a que se propõem, podendo ter estas um cariz inovador. Por outro lado, esta melhoria na eficiência reflecte-se em ganhos de produtividade e na redução dos custos de produção.
Apesar de existir já uma extensa investigação, desenvolvida em vários sectores, demonstrando que a acumulação de experiência leva a melhorias nas perfomances, o nosso trabalho preenche parte de um vazio, em termos de conhecimento, focalizando-se nos aspectos relacionados com a curva da experiência e com a aprendizagem de um determinado tipo de biotecnologia, designada genericamente por “sistemas de produção de microalgas” (SPM).
As microalgas são microorganismos fotossintéticos, que para a sua divisão e crescimento necessitam de luz, nutrientes e dióxido de carbono. O potencial biotecnológico das microalgas tem crescido rapidamente, nos últimos anos, principalmente devido às suas inúmeras aplicações comerciais. As microalgas podem ser tanto vendidas como alimento para consumo humano, como utilizadas na obtenção de compostos naturais de alto valor introduzidos em formulações de produtos cosméticos e nutracêuticos, ou até para a sequestração de carbono, o aproveitamento energético em biocombustíveis e o tratamento de efluentes líquidos e gasosos. Nesse sentido, os SPM são uma das mais biotecnologias mais promissoras da actualidade.
As particulariedades dos processos de aprendizagem e de acumulação de experiência são introduzidos, desde o ponto de vista da gestão do conhecimento, na revisão bibliográfica. O nosso estudo define o conceito de curva da experiência, relata a sua evolução histórica e apresenta exemplos da sua aplicação. Alguns exemplos retratam as aplicações incorrectas das curvas de aprendizagem, sobretudo no que respeita à sua capacidade de previsão de custos tecnológicos futuros. A curva da experiência deve ser usada com precaução, uma vez que, e por exemplo, não possibilita a antevisão de descontinuidades tecnológicas.
Neste trabalho sintetizaram-se as diferentes perspectivas, os avanços e tendências tecnológicas, e os futuros desafios deste sector biotecnológico. Para melhor compreensão da complexidade tecnológica dos SPM, estes foram caracterizados de uma forma genérica, mas técnica. É ainda apresentada uma comparação técnico-económica entre os sistemas abertos e fechados, que integram os SPM.
Na tentativa de compreender o processo de aprendizagem tecnológica, que está na base do desenvolvimento e operação dos diferentes SPM, recorreu-se a um caso de estudo, como metodologia central da investigação. O caso de estudo é uma empresa pioneira portuguesa, Necton S.A., dedicada, desde 1997, à produção de microalgas. A Necton instalou e operou vários tipos de SPM, desde sistemas abertos, como é o caso da tecnologia de raceways, a sistemas fechados como os fotobioreactores.





