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Abstract

O desenvolvimento embrionário tem fascinado cientistas e filósofos desde a primeira descrição de Aristóteles sobre a fertilização e o desenvolvimento embrionário até à descoberta dos diferentes mecanismos genéticos e moleculares da atualidade. A Embriogénese é um mecanismo extremamente complexo que envolve interações temporais e espaciais entre milhares de células e moléculas. Começa com a fecundação de um oócito feminino por um espermatozoide masculino, que gera o zigoto. O zigoto sofre múltiplas divisões e rearranjos espaciais num processo chamado de gastrulação. As diferentes células diferenciam-se e especializam-se em três folhetos embrionários: endoderme, mesoderme e ectoderme. Estes vão sofrer rearranjos – morfogénese; e formar órgãos – organogénese; que eventualmente darão origem a um ser completo com capacidade de se reproduzir. Qualquer mínima falha neste processo pode desencadear uma cadeia de consequências, desde pequenas malformações até, em casos críticos, à inviabilidade do embrião e consequente morte.

Os animais apresentam vários tipos de morfologia corporal, devido à formação de órgãos com várias funções e diferente posicionamento durante a embriogénese. Nos vertebrados, o coração é o primeiro órgão a ser formado para poder fornecer oxigénio e nutrientes essenciais ao embrião em desenvolvimento. Para a sua morfogénese, várias vias de sinalização moleculares necessitam de estar intimamente relacionadas entre si. Falhas neste processo levam ao surgimento de doenças cardíacas congénitas. Durante o desenvolvimento embrionário, são vários os mecanismos que determinam o correto posicionamento deste e de todos os outros órgãos através da origem sequencial dos três principais eixos: o Anterior-Posterior (A-P), o Dorso-Ventral (D-V) e o Esquerdo-Direito (E-D). Este último é responsável, entre outras coisas, pelo posicionamento do coração na caixa torácica e pela correta morfologia dos ventrículos e das aurículas. Uma das principais vias de sinalização nesta fase do desenvolvimento, é a do Nodal. Nodal é uma proteína secretada pertencente à superfamília de fatores de crescimento β (TGF-β) que medeia a diferenciação inicial da mesoderme e é fundamental para a formação da linha primitiva e do nó na futura parte posterior do embrião. A formação destas duas estruturas marca o início do desenvolvimento do eixo A-P e D-V. O nó é uma estrutura transiente que tem um papel organizacional na formação do terceiro eixo, o E-D. As células ciliadas deste organizador do nó criam um movimento de rotação unidirecional que provoca o deslocamento de Nodal para o lado esquerdo do nó, onde vai interagir com várias proteínas antagonistas que vão limitar a sua expressão à Placa Lateral Esquerda da Mesoderme (PLEM). Esta expressão assimétrica de Nodal será a primeira quebra na simetria do embrião e levará ao correto posicionamento e formação do primeiro órgão assimétrico, o coração. Qualquer mutação que afete os genes desta cascata de sinalização, poderá levar a defeitos de lateralidade.

Com o objetivo de tentar compreender as patologias resultantes de anomalias na lateralidade presentes em humanos, foram desenvolvidos vários estudos e modelos animais, como ratinhos knockout para o gene Cerberus-like 2 (Cerl2). Cerl2 é uma proteína da família Cerberus/Dan conhecida por antagonizar moléculas da família TGF-β/Nodal. Em ratinho, Cerl2 é expresso assimetricamente nas células do lado direito do nó, onde a sua atividade modula o sinal de Nodal, restringindo-o à PLEM.

Alternate abstract:

Cerl2 is a protein of the Cerberus/Dan family known to antagonize molecules of the TGF-β/Nodal fam-ily. In mice, Cerl2 modulates Nodal signaling, contributing to the left-right asymmetry in the lateral mesoderm plate of the developing embryo. Knock-out mice (KO) for Cerl2 show several left-right asymmetry defects that lead to embryonic lethality or death at birth. These mice also show a significant increase of the compact myocardium wall of the left ventricle, even in mice without laterality defects, suggesting that Cerl2 has an important role in the developing heart. This increase is associated with a higher mitotic index and proliferation of cardiomyocytes. These cells show higher levels of pSMAD2 and nuclear β–catenin, suggesting an extended exposure of the TGF-β/Nodal and possibly Wnt/β–catenin signaling. These signaling pathways are associated to cardiomyocytes proliferation and its inhi-bition leads to their differentiation. As such, we propose that the absence of Cerl2 up-regulates these pathways and leads to an increase in cardiomyocyte proliferation in the developing heart. To better understand this Cerl2 mechanism and confirm that the proliferation is regulated in the heart cells, we isolated cardiomyocytes from Cerl2-/- and wild-type (WT) mice at stages E13 and E15. We verified that in culture, E13 cardiomyocytes show a significantly increase in proliferation when compared to WT in all the days analyzed. In stage E15 we also observe a decrease in proliferation compared to the previous stage, but significant differences between both types were only found at one day after culture. These results mirror former studies and demonstrate that the cells regulate their own proliferation.

DAND5 is the human homologue of mouse Cerl2 and it has been also recently associated with several body-axis asymmetry defects in Portuguese patients. We hope these results can lead us to future methods of cardiomyocytes proliferation for regenerative medicine and understanding of heart diseases.

Details

Title
The Control of Cardiomyocyte Proliferation by Cerl2 Protein
Author
da Silva, Maria de Fátima Leitão
Publication year
2019
Publisher
ProQuest Dissertations & Theses
ISBN
979-8-209-92431-9
Source type
Dissertation or Thesis
Language of publication
English
ProQuest document ID
2652595224
Copyright
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