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Abstract
Após 16 anos de guerra civil, no dia 4 de Outubro de 1992, em Roma, Itália, o governomoçambicano liderado pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) assinaram o Acordo Geral de Paz (AGP) que pôs termo aoconflito. O acordo resultou de um processo de negociação iniciado na sequência do empate militar mutuamente doloroso entre as duas partes, sinalizando a maturação do conflito. As cedências mútuas que caraterizaram o processo de negociação do AGP fortaleceram a cooperação entre o governo da FRELIMO e a RENAMO, realçando a interdependência entre ambos. Esta situação aliada ao forte apoio da comunidade internacional liderada pela ONU concorreu para a geração do otimismo das duas partes em relação aos resultados da implementação do AGP. O otimismo contribuiu para a geração da motivação das duas partes em relação ao seu engajamento ativo no processo de democratização e na manutenção da paz entre 1992 e 1994. No âmbito da dupla transição de regime de partido único para a democracia multipartidária e da guerra para a paz, os resultados das eleições gerais de 1994 e 1999, por um lado, e por outro lado, os resultados das eleições locais de 1998 e 2003 fortaleceram o otimismo do governo da FRELIMO e da RENAMO em relação ao resultado do seu apoio à democracia e à paz. Neste contexto, para as duas partes aconquista do poder político por via de eleições democráticas mostrou-se como um mecanismomais atrativo e menos oneroso do que o recurso à violência. Assim, as duas partes sentiram-semotivadas a engajarem-se na manutenção da paz e da democracia entre 1992 e 2004.





